terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pós Guerra e Baby Boom

A segunda guerra mundial foi um período bastante conturbado na história e na sociedade em geral. Países como EUA, Inglaterra e França se uniram para guerrear contra as invasões da Alemanha Nazista e sua expansão territorial. Finalmente, em 1945, com o fim dos conflitos, o grupo dos Aliados, principalmente os Estados Unidos, venceu a guerra e, com isso, trouxe um grande prejuízo ao continente Europeu, sendo o maior palco dos conflitos. A guerra contabilizou um gasto total de 413,25 bilhões de libras, fabricou mais de 296 mil aviões e 53 milhões de toneladas de equipamentos navais. Apesar de todos os prejuízos algumas nações viram oportunidades de ganho econômico, ampliando as indústrias de metais pesados, principalmente nas áreas de alumínio, níquel, cromo e aço.
 Depois de estabilizada a situação os países aliados começaram a promover os diálogos sobre a situação política e econômica mundial. Entre os anos de 1943 e 1945, diversas reuniões internacionais foram realizadas com o propósito de selar diferentes acordos diplomáticos.
            A grande quantidade de mortos durante a guerra levou a um processo de explosão populacional chamado de Baby Boom. Em geral, o Baby boom é referido aos filhos da Segunda Guerra Mundial, crianças nascidas entre 1945 e 1964.   Muitos soldados, que participaram da guerra e sobreviveram, voltaram para casa e isso gerou um aumento muito grande nos índices de natalidade.
             Essa geração, por ter sido posterior aos conflitos, tinha como foco principal o lema “faça amor, não faça guerra” um protesto contra a guerra do Vietnã. Com o fim da guerra, além da vitória veio também uma grande quantidade de mortos. Mais de setenta milhões de pessoas, entre eles civis e militares, morreram durante os conflitos.
Bibliografia
Pessoas.hsw.uol.com.br
pt.wikipedia.org/wiki/baby-boom
História da Segunda Guerra Mundial – Ferro Marc – Editora Ática.

Guerra Fria

A Guerra Fria teve seu início após a 2ª Guerra Mundial, quando os Estados Unidos e a União Soviética disputavam pela hegemonia política, econômica e militar no mundo. Do lado ocidental, estavam os EUA, defendendo o sistema Capitalista (propriedade privada, economia de mercado e democracia). Do lado oriental, estava a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) defendendo o sistema Socialista, no qual existe um único partido, a sociedade é igualitária, economia planificada e não há democracia.

Nesta guerra, no entanto, não houve combate direto entre as duas nações. Esta é a razão pela qual a guerra se chama Guerra Fria. Apesar de ambos os lados possuírem centenas de armas nucleares, nenhuma foi disparada entre eles. Mas ocorreram combates em regiões como Vietnã e Coréia, em duas violentas guerras.

Dois blocos militares opostos foram criados. Um deles foi a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em 1949, liderada pelos Estados Unidos e tinha como principais parceiros alguns países da Europa Ocidental. Em oposição à OTAN, foi formado o Pacto de Varsóvia, comandado pela URSS e tinha como membros Cuba, China, Coréia do Norte, Romênia, Alemanha Oriental, Albânia, Tchecoslováquia e Polônia.

Tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética partiram para uma corrida armamentista e espacial. Como consequência desta corrida armamentista, os dois países mandaram milhares de tropas para países aliados e regiões vizinhas. Desta forma, havia um equilíbrio bélico que garantia que as nações não se atacassem, com medo do contra ataque. Isso podia ser chamado de Paz Armada, já que não havia combate direto entre os exércitos. Foram os Estados Unidos que lideraram a corrida armamentista.

Com relação à corrida espacial, foi a URSS a líder desta vez. Em 1957, a União Soviética lança o foguete Sputnik, com a cadela Laika dentro. Esta foi a primeira vez em que um ser vivo foi para o espaço. No entanto, em 1969, o homem chega à Lua na expedição americana Apollo 11.

Os americanos deram início a uma política de perseguição aos comunistas em seu território local e no mundo. Através da mídia (cinema, jornal, televisão, rádio, quadrinhos etc.), foram divulgadas diversas ideias contra o comunismo. Assim então foi idealizado o American Way of Life. Como resultado, muitos cidadãos americanos foram perseguidos e/ou presos por apresentarem ideias que remetiam ao socialismo. Uma política com esta ideologia foi o Macartismo, criado pelo senador Joseph McCarthy. Um exemplo de perseguição foi Charles Chaplin, que teve de fugir para a Inglaterra por ter ideias próximas do comunismo.

Para fortalecer o combate contra a expansão soviética pelo mundo, os EUA estabeleceram bases militares no Japão, na Coréia do Sul, Taiwan, Tailândia, Guam, Filipinas, Myanmar e Vietnã.

Após a Segunda Guerra, a Alemanha foi divida em República Federal da Alemanha (capitalista) e República Democrática da Alemanha (socialista). O Muro de Berlim foi construído 1961 com o objetivo de realizar esta divisão do território alemão.
No final dos anos 40, os Estados Unidos deram início ao Plano Marshall, no qual os americanos prestariam auxílio econômico aos países capitalistas destruídos pela 2ª Guerra. Do lado soviético, foi criado o COMECON, plano no qual a URSS prestaria auxílio mútuo entre os países soviéticos. 

No final dos anos 80, os países membros da União Soviética estavam muito atrasados economicamente e uma crise estava ocorrendo no socialismo. Em 1989, houve a queda do Muro de Berlim, unificando o território Alemão.  O capitalismo, então, começou a se difundir entre os países socialistas. No início dos anos 90, ocorreu o fim da União Soviética, acabando com a Guerra Fria.

Guerra do Vietnã

A Guerra do Vietnã foi um conflito armado que começou no ano de 1959 e terminou em 1975. As batalhas ocorreram nos territórios do Vietnã do Norte, Vietnã do Sul, Laos e Camboja. Esta guerra pode ser enquadrada no contexto histórico da Guerra Fria.
O Vietnã havia sido colônia francesa e no final da Guerra da Indochina (1946-1954) foi dividido em dois países. O Vietnã do Norte era, comandado por Ho Chi Minh, possuindo orientação comunista pró União Soviética. O Vietnã do Sul, uma ditadura militar, passou a ser aliado dos Estados Unidos e, portanto, com um sistema capitalista.
A relação entre os dois Vietnãs, em função das divergências políticas e ideológicas, era tensa no final da década de 1950. Em 1959, vietcongues (guerrilheiros comunistas), com apoio de Ho Chi Minh e dos soviéticos, atacaram uma base norte-americana no Vietnã do Sul. Este fato deu início a guerra. 

Entre 1959 e 1964, o conflito restringiu-se apenas ao Vietnã do Norte e do Sul, embora Estados Unidos e também a União Soviética prestassem apoio indireto.
Em 1964, os Estados Unidos resolveram entrar diretamente no conflito, enviando soldados e armamentos de guerra, e também começaram a usar armas químicas como o napalm, o antrax e o agente laranja.
Os soldados norte-americanos sofreram num território marcado por florestas tropicais fechadas e grande quantidade de chuvas. Os vietcongues utilizaram táticas de guerrilha, enquanto os norte-americanos empenharam-se no uso de armamentos modernos, helicópteros e outros recursos.


No final da década de 1960, era claro o fracasso da intervenção norte-americana. Mesmo com tecnologia avançada, não conseguiam vencer a experiência dos vietcongues. Para piorar a situação dos Estados Unidos, em 1968, o exército norte-vietnamita invadiu o Vietnã do Sul, tomando a embaixada dos Estados Unidos em Saigon. O Vietnã do Sul e os Estados Unidos responderam com toda força. É o momento mais sangrento da guerra.

          No começo da década de 1970, os protestos contra a guerra aconteciam em grande quantidade nos Estados Unidos. Jovens, grupos pacifistas e a população em geral iam para as ruas pedir a saída dos Estados Unidos do conflito e o retorno imediato das tropas. Neste momento, já eram milhares os soldados norte-americanos mortos no conflito. A mídia mostrava as cenas violentas e cruéis da guerra.

        Sem apoio popular e com derrotas seguidas, o governo norte-americano aceita o Acordo de Paris, que previa o cessar-fogo, em 1973. Em 1975, ocorre a retirada total das tropas norte-americanas. É a vitória do Vietnã do Norte.

        O conflito deixou mais de 1 milhão de mortos (civis e militares), o dobro de mutilados,  feridos e inúmeras crianças órfãs,  resultantes ou da morte dos pais ou dos estupros praticados pelos soldados norte-americanos. A guerra arrasou campos agrícolas, destruiu casas e provocou prejuízos econômicos gravíssimos no Vietnã.

       O Vietnã foi reunificado em 2 de julho de 1976 sob o regime comunista, aliado da União Soviética.
 
Agente laranja sendo jogado.

O Movimento Hippie e Beatnik

O Movimento Beatnik
“Nossas malas estão na calçada de novo. As estradas eram mais longas, mas não importava. A estrada é a vida”.
Jack Kerouak em “On the Road”

A geração Beat, formada principalmente por grupos de jovens intelectuais americanos na década de 50, tinha como o principal objetivo se expressar livremente, deixando de lado a vida ordenada imposta pelo governo dos Estados Unidos após a segunda guerra mundial. Eram disseminadores da contracultura (movimento que negava a cultura de massa), que explodiu apenas em 1960 com o movimento hippie.
Através da literatura, os beatniks tentavam demonstrar o modo como enxergavam o mundo, regado à drogas, álcool, jazz (principalmente o jazz bop de Charlie Parker e Thelonious Monk) , sexo livre e viagens.     Uma das maiores características do movimento era a inconstância, a vida nas estradas, uma vida sem nenhum planejamento.
Seus principais ícones são: Jack Kerouak com sua obra “On the Road” escrita em 1957, Allen Ginsberg com “Uivo e Outros Poemas” de 1956, William Burroughs com “Almoço Nu” (1959) e Gregory Corso com “Bomb” (1960).
Os livros da geração Beatnik têm como principais características a intensidade não só no estilo narrativo, mas também nas personagens, a linguagem informal (cheio de gírias) , o apoio à igualdade étnica e a grande valorização da transmissão oral.
O pano de fundo do movimento foi a Guerra Fria. Por causa disso, o governo estado-unidense era repressor e conservador, dificultando a distribuição dos livros e poemas beatniks. A censura proibiu diversas obras, entre elas “Almoço Nu” de William Burroughs, que foi processado e acusado de subversivo. Sendo assim, a literatura beatnik só adquiriu popularidade após a divulgação dos processos dos autores pela imprensa.
O movimento influenciou os hippies na década de 60, que herdaram o hábito de consumir drogas em excesso e o amor livre. Além disso, teve grande influência no movimento homossexual e feminista devido à luta constante dos beats pela liberdade sexual e na música de Bob Dylan e Jim Morrison.  Hoje em dia, os livros da geração Beatnik são considerados no mundo todo como ícones da literatura.

Contracultura e Movimento Hippie

O Movimento Hippie norte-americano faz parte do movimento de contracultura, o qual teve seu início na década de 60. Houve muitos grupos de contracultura nos EUA, contudo os hippies foram o mais importante. A contracultura consiste na negação dos valores impostos pela sociedade norte-americana, que valorizava uma família formada, com dinheiro, um bom carro, etc. Na década de 60, os bebês nascidos no baby-boom pós Segunda Guerra Mundial estavam entrando na idade adulta, e são as principais personagens do movimento hippie de contracultura. 
Esses jovens, diante de todas as contradições da sociedade norte-americana, passam a defender valores totalmente opostos aos impostos por ela, adotando um modo de vida comunitário ou nômade, negando a Guerra do Vietnã (inclusive recusando-se a participar do exército), pregando a prática do amor livre sem distinções, a abolição do casamento convencional, o uso de drogas, o rock, a não violência, entre outros. Os hippies usavam barbas e cabelos compridos, ao contrário do padrão dos norte-americanos, que, assim como os militares, cortavam os cabelos bem curtos. Isso era as vezes visto com uma ofensa ou algo anti-higiênico. Eles faziam artesanato e usavam roupas diferentes dos convencionais ternos, como sandálias e muitas cores, negavam o nacionalismo, defendiam a liberdade, não eram muito ligados à tecnologia, pois preferiam o contato com a natureza.
Em 1968, o musical “Hair”, produto do movimento hippie, que mostra uma tribo e critica a Guerra do Vietnã, passou do circuito off-Broadway para a Broadway, mostrando que a contracultura já havia conquistado um grande espaço na sociedade norte-americana.
O Festival de Woodstock foi um importante marco neste movimento, em 1969. Em uma fazenda no interior do país, 500 mil jovens se reuniram por três dias em um festival musical onde todos dormiam, se alimentavam, se drogavam, praticavam o amor livre, e assistiam à apresentações musicais, nas quais os músicos criticaram a guerra, e protestaram contra a situação de desigualdade e segregação social estado-unidense. Um exemplo é o guitarrista Jimi Hendrix, que, em uma apresentação histórica, improvisou o hino nacional norte-americano com efeitos que simulavam barulho de bombas e tiros de metralhadora.
A contracultura e o movimento hippie prolongaram-se até a década de 70, espalhando-se para o resto do mundo e levando consigo as músicas de protesto, a negação do “american way of life” entre outras características, as quais assumiram as mais diversas formas nos diferentes países em que se manifestaram. No Brasil, este movimento influenciou a estética dos jovens, que aderiram à moda e forma de vestir dos hippies, deixando de lado os aspectos sociais e políticos do movimento.
Nos Estados Unidos, a contracultura foi importante, pois impulsionou movimentos como o da democracia racial, na década de 70, e, além disso, acarretou em mudanças de comportamento social, quando o jovem contestou os valores impostos e tentou transformar a sociedade na qual vivia, marcada por segregações e desigualdade.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Malcolm X

Spike Lee

 Shelton Jackson Lee, mais conhecido atualmente como Spike Lee, nasceu em 20 de março de 1957 em Atlanta. Filho de um músico e uma professora mudou-se com sua família para o Brooklyn aos três anos onde adquiriu toda a sua consciência social.
            Depois de se formar, Spike Lee foi para a escola de artes Tisch School, onde se formou em programação de filmagem. Seu projeto de graduação foi um filme chamado "Joe's Bed-Stuy, Barbershop: We Cut Heads", que lhe rendeu prêmios em alguns festivais.  Três anos depois é lançado “The Answer”, um curta de dez minutos em que Spike Lee critica o racismo.
            Sua primeira indicação ao Oscar foi em 1989 com o filme “Do the Right Thing”, em que consegue reproduzir a sua visão do cotidiano das minorias. Lee procura retratar as camadas mais baixas e seus maiores problemas, diferentemente da maioria dos filmes que mostram o povo de maneira estereotipada. Além disso, busca representar a complexidade dos guetos norte-americanos aonde vivem não só os negros, mas os latinos, orientais, mestiços, etc.


            Em 1990, lança "Mo’ Better Blues", em que busca recuperar um grande movimento cultural nos EUA, o jazz. Em 1991, o filme  "Jungle Fever" chega às telas abordando os relacionamentos inter-raciais.
            Em 1992, Spike Lee lança “Malcolm X”, filme que o consagra como um dos maiores diretores afro-americanos.
O filme
O filme Malcolm X faz referência a uma das mais importantes figuras políticas da história dos Estados Unidos. Um homem negro, em meio a uma sociedade onde muitos negros não tinham quase direitos, eram tratados como desiguais. Passava uma mensagem política sobre as relações raciais mudando pra sempre a consciência política daquele país entre a década de 50 e 60.

                                                     Produção de Malcolm X                     
No processo d e filmagem os produtores acharam de extrema importância eleger um negro ao cargo de diretor e, Spike Lee, após ser escolhido, alegou que faria o filme com base em sua visão a respeito de Malcolm X.  Além disso, houve complicações na produção, pois cidadãos brancos se sentiam ofendidos com os discursos que aparecem no filme.
Spike Lee aparece no filme como Shorty, um amigo de Malcolm dos tempos de criminalidade.

Contexto Histórico

Malcolm X é considerado um dos líderes mais influentes do movimento negro na história. Começou a propagar as ideias de Elijah Muhammed após sua saída da prisão em 1952. O contexto da época é facilmente reconhecido como sendo o início dos grandes movimentos negros.
Em 1948 teve início, na África do Sul, o Apartheid. Este foi um regime de segregação racial, o qual dividia a sociedade em classes raciais (“negro”, “branco”, “de cor” e “indiano”), privando a grande maioria da população, que era negra, de seus direitos básicos, como as áreas da saúde e educação em que o branco era tratado com superioridade em relação ao negro.
O regime gerou várias revoltas populares em todo o mundo, que se estenderam da década de 70 à década de 80, em que era reivindicada a volta da democracia e os direitos igualitários para toda a população.
Em 1990 o então presidente da África do Sul, Frederik Willem de Klerk, iniciou negociações para acabar com o apartheid, resultando nas eleições multirraciais e democráticas de 1994, vencida por Nelson Mandela.
Nos anos 60 surgiu nos Estados Unidos o movimento Black Power. Esta foi a maneira encontrada pelos negros de ressaltarem sua importância cultural, estimulando a criação de instituições educacionais nas comunidades negras no intuito de conscientizar a população de seus direitos civis e sociais. Este movimento foi de extrema importância para as futuras eleições presidenciais da Câmara dos Negros nos EUA.
Assim como Malcolm X, Martin Luther King lutou pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e chegou a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964. King era seguidor das ideias de desobediência civil não violenta advindas de Mahatma Ghandi, um líder político indiano. Analisando a partir do filme, é possível identificar como principal diferença entre Malcolm X e Martin Luther King a questão da ideologia muçulmana e a indianista, respectivamente.
Em 1963 o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy foi morto por disparos enquanto circulava no automóvel presidencial. Há conspirações quanto a este assassinato, que poderia ter sido um plano do vice-presidente Lyndon B. Johnson junto de alguns agentes da CIA, que seriam contra a reeleição de Kennedy.
Malcolm X disse em uma de suas entrevistas a televisão que o assassinato de Kennedy era uma necessidade para dar continuidade aos movimentos negros. Esta sua fala iniciou a degradação de sua imagem acarretando na perseguição que sofreria dos negros da associação de Elijah Muhammed e na sua morte em 1965.